Sift

Buscar fundos

Pesquise por nome, gestora ou CNPJ

Entrar
Voltar ao blog

Penalized Risk: como medir o risco real de um fundo

15 de julho de 2025 · Bruno Mérola

riscopenalized-riskmetricascdar

O risco que as métricas tradicionais escondem

O mercado financeiro tem uma obsessão com duas métricas de risco: volatilidade e Sharpe Ratio. São simples, amplamente compreendidas e fáceis de calcular. O problema: ambas assumem que os retornos são distribuídos normalmente — o famoso "sino" da curva de Gauss.

Na prática, retornos de fundos têm caudas gordas. Eventos extremos acontecem com frequência muito maior do que a curva normal prevê. Um fundo com volatilidade de 5% ao ano pode sofrer um drawdown de 30% em um mês de crise — algo que a volatilidade "não esperava".

O framework KeyQuants

Em 2018, a KeyQuants publicou o paper "An Alternative Portfolio Theory" propondo uma abordagem diferente para medir risco. Em vez de usar a volatilidade como métrica central, eles propõem o Penalized Risk — uma combinação de duas métricas:

Ulcer Index (risco médio)

O Ulcer Index mede a profundidade e a duração dos drawdowns. Quanto mais fundo e mais demorado o drawdown, maior o Ulcer Index. É uma medida do "sofrimento médio" do investidor.

CDaR — Conditional Drawdown at Risk (risco de cauda)

O CDaR é o equivalente do CVaR (Conditional Value at Risk) para drawdowns. Enquanto o CVaR mede as piores perdas diárias, o CDaR mede os piores drawdowns. Especificamente, o CDaR a 95% é a média dos 5% piores drawdowns observados.

A fórmula

Penalized Risk = Ulcer Index × Pitfall Indicator
Pitfall Indicator = CDaR(95%) / Volatilidade

O Pitfall Indicator funciona como um multiplicador: quando o CDaR é alto em relação à volatilidade, significa que o fundo tem eventos extremos desproporcionais. O Penalized Risk final combina o risco médio (Ulcer Index) com esse fator de cauda.

Um exemplo prático

Considere dois fundos multimercado:

| Métrica | Fundo A | Fundo B | |---------|---------|---------| | Volatilidade | 6% | 8% | | Sharpe | 1.5 | 1.2 | | Ulcer Index | 3.2 | 1.8 | | CDaR(95%) | 18% | 9% | | Penalized Risk | 9.6 | 2.0 |

Pela análise tradicional, o Fundo A é "melhor": menor volatilidade, maior Sharpe. Mas o Penalized Risk conta outra história. O Fundo A tem drawdowns profundos e persistentes (Ulcer Index alto) e eventos de cauda severos (CDaR alto). O Fundo B oscila mais no dia a dia, mas seus drawdowns são rasos e curtos.

Qual desses fundos vai te fazer vender na hora errada durante uma crise? Provavelmente o A.

Por que nenhuma outra plataforma usa

O Penalized Risk exige dois cálculos que não são triviais:

  1. Ulcer Index rolling: precisa manter o histórico completo de drawdowns em múltiplas janelas
  2. CDaR: precisa calcular a distribuição empírica de drawdowns, não de retornos

A maioria das plataformas de fundos no Brasil se limita a métricas que podem ser calculadas a partir de retornos diários simples (volatilidade, Sharpe, Sortino). Calcular métricas baseadas em drawdowns requer um pipeline de dados mais sofisticado.

Penalized Risk no Sift

No Sift, o Penalized Risk é uma das métricas centrais do componente de risco do Teor. Calculamos em janelas rolling de 12, 24, 36 e 60 meses, com percentil vs peer group atualizado diariamente.

O peso do risco no Teor é de 40%, e o Penalized Risk é a métrica principal dentro desse componente. Isso significa que fundos com drawdowns profundos ou eventos de cauda frequentes são penalizados — mesmo que tenham bom retorno.

Conclusão

Volatilidade e Sharpe são pontos de partida, não a linha de chegada. Se você quer entender o risco real de um fundo, precisa olhar para drawdowns — sua profundidade, duração e frequência nos piores cenários. É exatamente isso que o Penalized Risk faz.